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Blog - Carlos Vicentini
 
Neste Blog, o internauta vai encontrar charges, frases, fotos bonitas, gente interessante, textos que falam mais ao coração.
Você pode colaborar com o blog, enviando sua colaboração para caeduvi@ig.com.br
Pegou o espírito da coisa?? Então vamos lá...
 

PRECISA-SE DE UM AMIGO

 

Preciso de alguém que me olhe nos olhos quando falo, enxergue a profundidade do meu ser. Que ouça minhas tristezas e neuroses, que acredito não ter nenhuma, com paciência. E, ainda que não compreenda, respeite os meus sentimentos. Preciso de alguém, que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado; alguém amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que possa odiá-lo por isso. Nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia, nessa coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: a amizade.

 

Que teime em ser leal, simples e justo, que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for a sensação da festa. Preciso de um amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida. Mesmo que isso seja muito pouco para suas necessidades. Preciso de um amigo que também seja companheiro nas farras e viagens, nas discussões e alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo: “nós ainda vamos rir muito disso tudo”, e ria muito. Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas que graças a Deus são maravilhosos, mas posso escolher meus amigos.

 

E nessa busca empenho a minha própria alma, pois com um amigo de verdade, a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela...

 



 

TRANSAR, FAZER AMOR

 

Mas dar é dar demais e ficar vazio.

Dar é não ganhar.

É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.

É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.

É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: “Que que cê acha amor?”.

É não ter companhia garantida para viajar.

É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.

Dar é não querer dormir encaixadinho...

É não ter alguém para ouvir seus dengos...

Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor...

Esse sim é o maior tesão.

Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar...

Experimente ser amada.

 



 

ARCO-ÍRIS

 

Se eu pudesse agarrar um arco-íris

Eu o pegaria só para você

E compartilharia com você a sua beleza

Nos dias em que você se sentisse triste

Se eu pudesse construir uma montanha

Você poderia chamá-la de só sua

Um lugar para encontrar serenidade

Um lugar para estar sozinha

Se eu pudesse pegar seus problemas

Eu os jogaria no mar.

Mas todas estas coisas em que eu estou pensando são impossíveis para mim.

Eu não posso construir uma montanha

Ou pegar um belo arco-íris

Mas deixe-me ser o que eu sei de melhor.

Um amigo que está sempre por perto



 

ESPÍRITO DE NATAL

Todos os anos é assim. Basta se aproximar o Natal e logo eu mudo. Fico meio estranho... nostálgico... mais sensível. Isto acontece todas as vezes em que sinto aquele ar de Natal. Você pode até duvidar, mas eu que não acredito em espíritos, sinto o espírito Natal. E com ele chegam lembranças, apertos no peito, saudades perdidas, uma espécie de sentimento vazio. Para alguns pode até parecer bobeira... mas eu repito: eu sinto o espírito de Natal!
O que eu sinto não vem do cheiro do peru assado que fica ao meio da mesa decorada com velas e frutas. Nem das massas ou das comidas coloridas cheias de enfeites que a minha mãe, tias e cunhada preparam para ceiarmos à meia-noite. Também não vem dos perfumes que ganho de presente em amigos ocultos ou do cheiro de Chanel número 5 do abraço de alguma tia. É um espírito que não tem data marcada para chegar... às vezes eu o sinto quando passa o aniversário do meu irmão, no mês de setembro, ou em pleno mês de novembro, quando as lojas já antecipam o Natal enfeitando espertamente as vitrines. Dá pra acreditar?! Logo penso meio agustiado: “Tá chegando o Natal”.
Confesso que o Natal não é uma das minhas datas preferidas. Fico meio down, pra baixo mesmo! A sensação é de dúvidas multiplicadas por culpas que ficam martelando a minha cabeça em forma de perguntas intermináveis transformadas em reflexões. “Será que fiz tudo certo este ano?” “Caramba, por que não me matriculei no inglês?” “Putz! Porque não joguei mais tênis, me exercitei mais?” “Por que sai do regime e engordei mais seis quilos?”.
Sem martírios, sobram-me apenas desejos repetidos a se realizarem ou não, com a mudança de um novo calendário. E isto depende só e unicamente do pacto firmando comigo mesmo para que os meus planos sejam colocados como metas a serem cumpridas.
Daí surge uma lista de promessas: “No ano que vem meu curso de Direito vai ter que sair de qualquer jeito”. “Vou procurar otimizar meu trabalho a um maior número de clientes”. “Até que enfim vou financiar o meu apartamento”. “Este ano não passo o Dia dos Namorados só”.
Talvez o espírito do Natal me incomode de uma certa maneira, porque remexe com sentimentos confusos e situações mal resolvidas, sejam elas do passado ou do presente. Certo dia conversando com amigos sobre o assunto, alguns chegaram a dizer que se sentem também assim. “É uma tristeza feliz”, disse um deles. Outro, dado a psicólogo de plantão, falou-me que isto pode estar atrelado à memória emotiva da minha infância... algo que me marcou e ficou guardado dentro de uma daquelas gavetas onde arquivamos tudo que nos acontece ou naquela que está aberta e vazia a espera de ser preenchida. É isso aí... Tava ali à minha frente a ponta do novelo que precisava ser esticado.
A resposta talvez estivesse também nas fotos antigas já meio desbotadas pelo tempo. Quem sabe nas lembranças de histórias que meu pai contava de vez em quando em almoços de família que viriam a se transformar em minhas próprias lembranças felizes. O espírito do Natal de minha infância se materializava nos brinquedos que minha mãe escondia debaixo da cama ou no gosto do panetone que por falta de costume de comer frutas cristalizadas, achava meio esquisito e que hoje adoro. Lembro-me até hoje das ceias de Natal com toda a família reunida: Pai, mãe, irmão, tios, primos, sobrinha, convidados e que, tristemente, já a alguns anos, sem a presença daqueles que já partiram. Nossa! Quanta saudade dessa época!
Me lembro quando te comprei uma bicicleta e a levei na casa do Nelson e me lembro mais ainda da aflição gostosa de ter de escolher a cada ano que passavamos o Natal juntos o melhor e mais lindo presente para você. Presentear é também estar, como ensina Clarice Lispector em um dos seus contos.
Hoje, toda vez que dezembro chega e o espírito de Natal se aproxima, sinto sua forte presença. E para quem pensa que a cor dele é vermelho como a roupa do Papai Noel ou branco como a neve está redondamente enganado... o espírito de Natal está em você.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

PARA SEMPRE

 

Um homem de idade já bem avançada veio à clínica onde trabalho, para fazer um curativo na mão ferida. Estava apressado, dizendo-se atrasado para um compromisso, e enquanto o tratava perguntei-lhe sobre qual o motivo da pressa. Ele me disse que precisava ir a um asilo de anciãos para, como sempre, tomar o café da manhã com sua mulher que estava internada lá. Disse-me que ela já estava há algum tempo nesse lugar porque tinha o mal de Alzeimer em um estágio bastante avançado. Enquanto acabava de fazer o curativo, perguntei-lhe se ela não se alarmaria pelo fato de ele estar chegando mais tarde.

 

– Não, ele disse. Ela já não sabe quem eu sou. Faz quase cinco anos que não me reconhece. Estranhando, lhe perguntei:                 

 

– Mas se ela já não sabe quem o senhor é, porque essa necessidade de estar com ela todas as manhãs? Ele sorriu e dando-me uma palmadinha na mão, disse:

 

– É. Ela não sabe quem eu sou, mas eu, contudo sei muito bem quem é ela.

 

Meus olhos lacrimejaram enquanto ele saía e eu pensei: essa é a classe de amor que eu quero para a minha vida. O verdadeiro amor não se reduz ao físico nem ao romântico. O verdadeiro amor é a aceitação de tudo o que o outro é, do que foi, do que será e... do que já não é.

 



 

 



 

A IMPORTÂNCIA DE DIZER "EU TE AMO"

 

Depois de 21 anos de casado, descobri uma nova maneira de manter viva a chama do amor. Há pouco tempo decidi sair com outra mulher. Na realidade foi idéia da minha mulher. Você sabe que a ama – disse-me minha esposa um dia, pegando-me de surpresa. A vida é muito curta, você deve dedicar um tempo especial a essa mulher... Mas, eu te amo – protestei à minha esposa. Eu sei. Mas, você também a ama. Tenho certeza disso. A outra mulher, a quem minha esposa queria que eu visitasse, era minha mãe, que já era viúva há 19 anos, mas as exigências do meu trabalho e de meus 3 filhos faziam com que eu a visitasse ocasionalmente. Nessa noite, convidei-a para jantar e ir ao cinema. O que é que você tem? Você está bem? – perguntou-me ela, após o convite (Minha mãe é o tipo de mulher que acredita que uma chamada tarde da noite, ou um convite surpresa é indício de más notícias). Pensei que seria agradável passar algum tempo contigo (respondi a ela). Só nós dois... O que acha? Ela refletiu por um momento. – Me agradaria muitíssimo (disse ela sorrindo). Depois de alguns dias, estava dirigindo para pegá-la depois do trabalho, estava um tanto nervoso... Era o nervosismo que antecede a um primeiro encontro... E que coisa interessante, pude notar que ela também estava muito emocionada. Esperava-me na porta, com seu casaco... Havia se vestido com esmero e usava a roupa com que celebrou seu último aniversário de bodas. Seu rosto sorria e irradiava luz como um anjo. Eu disse às minhas amigas que ia sair com você e ficaram muito impressionadas (comentou enquanto subia no carro). Fomos a um restaurante não muito elegante, mas sim, aconchegante, minha mãe agarrou os meus braços como a primeira vez que me levou à escola. Quando nos sentamos, tive que ler para ela o menu. Seus olhos só enxergavam grandes figuras. Quando estava pela metade das entradas, levantei os olhos; mamãe estava sentada do outro lado da mesa, e me olhava fixamente. Um sorriso nostálgico se delineava nos seus lábios. Era eu quem lia o menu quando você era um garotinho (disse-me). Então é hora de relaxar e me permitir devolver o favor – respondi. Durante o jantar tivemos uma agradável conversa; nada extraordinário, só colocando em dia a vida um para o outro. Falamos tanto que herdemos o horário do cinema. Sairei contigo outra vez, mas só se me deixares fazer o convite (disse minha mãe quando a levei para casa). E eu concordei. Como foi teu encontro? (quis saber minha mulher quando cheguei àquela noite). Muito agradável... Muito mais do que imaginei... Dias mais tarde minha mãe faleceu de um infarto fulminante, tudo foi tão rápido, não pude fazer nada. Depois de algum tempo recebi um envelope com cópia de um cheque do restaurante de onde havíamos jantado minha mãe e eu, e uma nota que dizia: “O jantar que teríamos paguei antecipado, estava quase certo de que poderia não estar ali, por isso paguei um jantar para ti e para sua mulher. Jamais poderás entender o que aquela noite significou para mim. Te amo”. Nesse momento, compreendi a importância de dizer a tempo “TE AMO” e de dar a nossos entes queridos o espaço que merecem.

 

...

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O AMOR COMEÇA

 

Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois do teatro, do cinema, do silêncio. Começa em lanchonetes engorduradas, diferentes dos parques de ouro onde começou a se desenhar, de repente, ao meio do refrigerante que eu bebo de um gole só ou que você despeja afoita no copo, espalhando gotículas pela mesa. Na doçura do pôr-do-sol tropical, depois de um dia votado à tristeza póstuma, que veio; e começa o amor no entrelaçar das mãos no cinema, como tentáculos insaciáveis, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha começado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e começa o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do homem desconhecido que atravessou num flash de luz; às vezes começa o amor nos braços torturados de quem já sofreu de amor, no passado sublimado de todos nós; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da amada dentro de um pensamento ardente o amor pode começar; no erotismo da pretensão ridícula de fendas e decotes provocantes; nas calças justas, nas marcas visíveis, nos brincos e nos perfumes femininos; quando a alma se habitua às vilas empoeiradas da periferia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode começar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles doces de um suco no barzinho antigo; na esperança tantas vezes semeada, às vezes vingada por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o ideal e o plausível de dois corações; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor começa na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, no carro, no metrô, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e cresce; no paraíso o amor começa; na usura o amor se dissolve; em disputas o amor pode virar pó; no egoísmo, frivolidade; em ciúmes, remorso; na boca do lixo, dinheiro; uma carta que chegou na hora certa, o amor começa; uma carta que chegou depois, e o amor acaba; começa na descontrolada fantasia da libido; às vezes começa na mesma música que terminou o anterior, com o mesma bebida, diante das mesmas paisagens; e muitas vezes começa em ouro e diamante, dispersado entre astros; e começa nas encruzilhadas dos bairros da moda, Vila Olímpia, Vila Madalena, Jardins, Moema; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia doses de amor; e começa no longo périplo, tocando em todas as danceterias e sites, até se consolidar em desertos imensos; e começa depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não começa e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor começa como se fora melhor nunca ter existido; mas pode começar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e começa o amor; na verdade; o imaginário; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor começa; a qualquer hora o amor começa; por qualquer motivo o amor começa; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor começa. Em um telefonema, começa o amor.

 



 

TRÃNSITO CAÓTICO, HÁ SOLUÇÃO?

O Brasil tem hoje uma frota de 42 milhões de carros, motocicletas, caminhões e ônibus. Só na cidade de São Paulo, detentora da maior frota do País, são 6 milhões de automóveis para 10 milhões de habitantes. Com isso, a cidade passa a ter cerca de 2,4 habitantes por carro – número semelhante, por exemplo, ao de Paris (2,3). Quando muitos decidem usar os veículos ao mesmo tempo, todos saem perdendo. Para os motoristas, o principal motivo de stress são os congestionamentos. Para os pedestres, o problema é a grosseria dos motoristas estressados.
Os congestionamentos urbanos são apontados como o maior problema no trânsito por 61% dos motoristas de oito capitais brasileiras – São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Porto Alegre e Curitiba. Eles irritam tanto os motoristas de carro quanto os de ônibus, caminhão, vans e até os motociclistas – que parecem passar imunes ao tráfego, usando o espaço entre as faixas, mas também sofrem em meio às filas de veículos imóveis.
O maior índice de congestionamento do ano, até hoje, 11 de março de 2008, no período da manhã, foi de 186 quilômetros. Desde julho de 2007, a CET monitora 820 km. O recorde alcançado nesta data foi o sétimo nos últimos 15 dias que a antecederam. A lentidão foi atribuída pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) à chuva, ao excesso de veículos e a pequenos acidentes.
Quem costuma passar horas dirigindo sabe que, infelizmente, é praticamente impossível passar um único dia longe do stress provocado por congestionamentos, obras, motoristas
O prejuízo com os congestionamentos alcança R$ 52 bilhões por ano, o equivalente a 20% do Produto Interno Bruto da cidade, segundo Rodrigo Queiroz, professor de projetos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), da Universidade de São Paulo (USP). Esse valor leva em consideração o tempo que o motorista gasta parado no tráfego, ou seja, o quanto ele deixa de ganhar se estivesse em alguma atividade produtiva, além, é claro, do prejuízo com o combustível.  Isso significa que os congestionamentos levam para o ralo 20% da riqueza que a cidade produz.
A explicação para os sucessivos recordes é o excesso de veículos, mas revela que a cidade não consegue administrar e educar seu trânsito de forma eficiente.
Hoje, meio ambiente, bem juridicamente tutelado, se preocupa primeiramente com a sadia qualidade de vida, tendo o homem como o destinatário principal de suas atenções. Logo, pode ser enquadro sobre cinco prismas diferenciados: o meio ambiente natural, o meio ambiente artificial, o meio ambiente cultural, o meio ambiente do trabalho e o patrimônio genético.
Deste modo, congestionamentos em vias públicas, é considerado também problema ambiental, vez ser o meio ambiente artificial formado pelos espaços públicos ou espaços urbanos abertos (uma via pública, uma praça).
Está na raiz dos congestionamentos das grandes cidades o clássico dilema social causado pelo conflito entre o individual e o coletivo. A decisão individual de usar um carro pode trazer benefícios ao seu usuário; no entanto, se muitos indivíduos se comportam da mesma maneira, resulta uma situação que é indesejável para todos (os congestionamentos), já que o espaço viário é limitado. O fato é que o automóvel é um grande consumidor de espaço - cerca de 10 vezes mais, per capita, que um ônibus. O problema é que é um bem desejado pela maioria das pessoas e que está cada vez mais acessível. Com isso a frota de cidade, já superando os seis milhões de veículos, gera como resultado os problemas de todos os dias.
A ampliação de vias, ou de suas capacidades, apenas libera mais espaço para a demanda reprimida. Da mesma forma, a gestão operacional, fundamental para o ordenamento da circulação, poderia (ou deveria) ser ampliada, mas ainda assim não conseguiria resolver o problema de demandas superiores à capacidade viária e congestionamentos ainda persistiriam.
Duas vertentes de soluções principais são muito claras: a primeira é ampliar e melhorar a qualidade dos transportes coletivos, priorizando para ele o uso do escasso espaço viário; a segunda é gerir a demanda.
A gestão da demanda tem como objetivo básico reduzir as viagens dos automóveis, especialmente nos picos. Hoje a maioria deles trafega vazia – em média menos de 1,5 pessoas por carro. Caso se ampliasse para, digamos, 2,5 pessoas por carro, se reduziria a circulação desses veículos em 40%.
O arsenal para esta gestão é extenso e variado, como são variadas as dificuldades de implantação e os graus de efetividade das medidas. Entre eles, alguns já implantados em São Paulo, pode-se citar o escalonamento de horários de trabalho, a carona programada, a redução da oferta ou taxação de estacionamentos nas áreas mais congestionadas da cidade, a proibição parcial de circulação de veículos (rodízio), a cobrança pelo uso das vias (pedágio urbano). Desses, os dois últimos – rodízio e pedágio urbano – são os mais efetivos.
O rodízio é de implantação barata (para o Poder Público) e com eficácia proporcional ao número de placas proibidas por dia. A desvantagem é que os benefícios se diluem com o tempo, por adaptações que a sociedade vai adotando, especialmente ao adquirir mais veículos. Por esta razão, a medida já poderia ser ampliada para quatro placas por dia, como acontece em Bogotá e na Cidade do México. Em Santiago a proibição pode chegar a seis placas por dia, em situações graves de poluição – razão principal do rodízio, ainda que limitada aos automóveis que não tenham conversor catalítico. Uma vantagem dessa medida é que a população já a absorveu, e até mesmo reclama por ela, como aconteceu no recente episódio da suspensão do rodízio por alguns dias de julho passado.
Solução mais polêmica, mas que inexoravelmente será implantada, mais dia menos dia, é o pedágio urbano aplicado em vias ou áreas congestionadas, especialmente as áreas centrais da cidade. As dificuldades tecnológicas já há algum tempo foram superadas, tornando possível monitorar os veículos, viabilizando o controle e a cobrança. Este esquema sempre deveria ser implantado com a condição de que os recursos arrecadados sejam vinculados obrigatoriamente ao aperfeiçoamento do transporte coletivo. Esta vinculação uniria sinergicamente as duas medidas. E isso poderia criar condições para que os congestionamentos pudessem ser domados.
A história mostra, ao longo dos anos, que crescimento urbano nem sempre é sinônimo de investimentos em infra-estrutura e melhorias no transporte.
Além do rodízio, dos pedágios, outras medidas, na minha opinião poderiam minimizar os transtornos de um trânsito sabidamente caótico:

1) Uma delas é o transporte fretado, que possibilita ao profissional não se estressar com o trânsito. Muito mais do que o nervosismo por estarem paradas em um congestionamento, as pessoas acabam sofrendo desgaste físico e mental, que pode ser a causa para a queda da produtividade no trabalho. Quando outra pessoa dirige, os trabalhadores podem desenvolver atividades ligadas ao lazer, como ouvir música, ler um livro e, até mesmo, assistir a um filme. Se o meio de transporte coletivo fosse bom, todos o utilizariam, e não haveria necessidade da compra de novos carros. Assim, diminuiria os números de carros em circulação, e a cidade não teria tantos congestionamentos.

2) Educação de trânsito para os pais de alunos, voltada para regras de circulação, travessia nas faixas de pedestres, evitando aglomerações nas ruas próximas às saídas e períodos demorados de embarque e desembarque. Adoção de uma escala de horários de entrada e saída de alunos pelas escolas, de acordo com o período escolar: alunos do ensino fundamental, por exemplo, poderiam sair cerca de 20 minutos antes dos do ensino médio. Também poderiam ser organizados os horários de saída dos estudantes que usam transporte próprio ou privado, o que seria avaliado por pesquisa. O objetivo é evitar que vans, microônibus e carros de passeio se concentrem nas portas das escolas, comprometendo o fluxo e gerando efeito em cadeia.

3) Circulação de caminhões nas marginais somente entre às 23:00hs e 6:00hs, com entrega das mercadorias somente neste intervalo de tempo, nos bairros e região central de São Paulo.

4) Cadastro de todos os motociclistas com número de inscrição bem aparente, com corpo de letra bem visível, na jaqueta, camiseta, jaleco e num painel colocado sobre a lanterna traseira. Proibição de ultrapassagem entre os carros, com multas pesadas, a exemplo da obrigatoriedade do cinto de segurança que acabou vingando.

 

 



 

FRASES

"O homem que trabalha somente pelo que recebe, não merece ser pago pelo que faz."
Abraham Lincoln

"Felicidade é ter o que fazer, ter algo que amar, e algo que esperar."
Aristóteles

"Partido político é um agrupamento de cidadãos para defesa abstrata de princípios e elevação concreta de alguns cidadãos."
Carlos Drummond de Andrade

"A minha preocupação não está em ser coerente com as minhas afirmações anteriores sobre determinado problema, mas em ser coerente com a verdade."
Gandhi

"A opressão nunca conseguiu suprimir nas pessoas o desejo de viver em liberdade."
Dalai Lama

"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te."
Friedrich Nietzsche

"A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original."
Albert Einstein

"Nada encoraja tanto ao pecador como o perdão."
William Shakespeare



 

MEU ANIVERSÁRIO

 

Quando eu acordei hoje eu me sentia bastante deprimido, mas não conseguia identificar a razão desse meu estado de espírito. Mas, logo ao levantar-me, descobri a razão do mal-estar: uma segunda-feira e meu aniversário. "Estou um ano mais velho" – pensei. Ao entrar no banheiro, dei uma olhada no espelho e a imagem que vi foi de um cara que já tem muitos anos de vida.

 

Dois de julho, hoje é dia do meu aniversário.  Quisera eu reencontrar todos os meus amigos. Aqueles que passaram pela minha vida por um segundo, mas também aqueles que conseguiram se eternizar, ou na vida, ou no coração. Quisera eu reencontrar o meu pai que de presente me deixou a única verdade eterna, a sua partida para uma nova vida. Quisera eu voltar a ser criança, resgatar a inocência de experimentar tudo: Das relações aos riscos e resgatar a coragem de fazer, dizer e viver tudo que se tem vontade, simplesmente por sentir vontade. Quisera eu voltar o tempo para ter nascido novamente, eu teria feito tudo de novo e teria a mesma família, os mesmos pais, o mesmo irmão, os mesmos amigos e os mesmos primos. Quisera eu ter mais dois braços para abraçar-me e dizer: "Como vale a pena ser você”

Agradeço o carinho dos meus grandes amigos, desde aqueles mais novos, até os amigos mais antigos com toda minha devoção, do fundo do meu coração que a todos dá abrigos.  Hoje muitos se lembraram de mim.

O nosso dia de nascimento é escolhido por Deus – não pelos nossos pais, um astrólogo ou o obstetra. O nascimento é Deus dizendo que o mundo não pode seguir em frente sem a gente. É o dia em que a missão da nossa alma precisa começar. Já havia cerca de seis bilhões de pessoas quando nós nascemos. O mundo precisava realmente de mim ou de você? Uma alma a mais pode mesmo fazer a diferença? Acho que sim; caso contrário Deus não teria enviado nossa alma para esta terra. O fato de eu ter nascido significa que deve haver algum dom único que eu tenho a oferecer ao mundo, que nenhuma dessas outras seis bilhões de pessoas poderia conseguir.

Hoje é uma oportunidade para eu refletir: este é o dia em que minha alma foi despachada para uma missão. Como está indo esta missão? Tenho feito o pouco que posso para melhorar e aperfeiçoar a mim mesmo e ao mundo? Quanto tempo e energia eu despendo em atividades significativas? Quanto do meu tempo eu poderia acrescentar àquela quantidade no ano vindouro? Longe de ser um acidente, meu nascimento foi claramente um ato deliberado. E sou feliz?

Afinal, a vida é bacana. Eu nunca sei o que vai acontecer. E nem quero saber. Uma hora estou no escritório conversando com um cliente lá do interior do Estado. Na outra, vou diagramar um jornal. Eu só me preocupo com o agora. E a vida vai se desenrolando surpreendentemente para mim como uma aventura maravilhosa. Até as coisas ruins são boas. É tudo uma grande aventura e eu sou o herói do meu filme. É tão bom acordar e pensar: oba, o que será que vai acontecer comigo hoje? Às vezes, você acha que tudo vai dando errado e, de repente, um sorriso, uma pequena atenção, um pequeno gesto de alguém próximo, algo aparentemente sem muita importância muda todo o quadro e passamos a nos sentir bem melhor e reconfortados.

Hoje, quero agradecer, só agradecer a Deus, passo a agradecer por algo ímpar: minha vida. Agradecimento esse feito a “Deus” e aos meus pais, que tornou tal acontecimento possível. Décadas de acertos… e de muitos erros também. O que importa é que vivi e que aprendi muito, certo de que muito ainda tenho a viver e muito mais para aprender. Mas, como eu dizia, quero mesmo é agradecer, agradecer e agradecer pela oportunidade de ter nascido para gozar da maravilhosa dádiva que é a vida. Na verdade, já fiz os agradecimentos intimamente. Queria mesmo era explicitar publicamente a minha felicidade por tudo isso. Viver é simplesmente um espetáculo!

Hoje de manhã, como já mencionei, acordei meio triste, mais um ano que passou. Mas isso é bobagem, porque a gente envelhece o tempo todo; o tempo não pára; é como o rio. Só que a gente não percebe. Mas aí chega um dia que faz a gente parar e prestar atenção: o dia do aniversário. A gente pensa: "Passou mais um ano da minha vida". É o dia quando os números mudam. Quando me perguntam: "Qual é a sua idade?" – eu respondo: "18". Mas às vezes, digo 20, outras 42, outras 50, outras 55, 60, outras, eu pergunto “Quantos anos acha que eu tenho?”. Minha idade varia conforme meu estado de espírito. Não é cronológica, é espiritual.

Já me disseram que a reação que se tem depois de mais velho no seu aniversário é reflexo de como vivemos quando criança. Me peguei pensando sobre isso, e cheguei à conclusão de que pode fazer sentido. Já faz um tempo, no dia do meu aniversário, olho para trás. Tenho saudade do tempo em que era criança. É só depois que a gente deixa de ser criança que a gente descobre que ser criança é muito bom. Explico de outro jeito. Imagine que vocês vão fazer uma viagem. A felicidade da viagem começa antes da viagem. A gente examina mapas, lê artigos sobre os lugares que vão ser visitados, conversa com amigos que já foram, olha fotografias. E só de imaginar fica feliz. Depois de feita a viagem é diferente. A felicidade ficou para trás. Só resta ver as fotos e conversar... Criança é quem ainda não viajou e fica feliz imaginando a viagem. Viagem imaginada é sempre feliz. Adulto é quem já viajou e fica feliz olhando as fotos da viagem.

Foi por isso que resolvi relembrar depois da festinha aqui em casa, o tempo em que eu era menino. Foi o tempo mais feliz da minha vida. Caí muitas vezes, cortei o pé com cacos de vidro, me espetei com espinhos e pregos, cortei a mão com faca e serrote, fiquei doente, tive dor de dente, me queimei, martelei o dedo, fui picado por marimbondos e abelhas, pus a mão em taturanas, caí de árvores, senti muita dor. Mas as dores passavam logo. E a alegria voltava. Fui um menino sempre alegre. Tudo no mundo me encantava. Menino, eu não imaginava que, um dia, eu seria adulto...

Pois esse dia chegou. Meu aniversário me diz que agora sou um homem e, além do mais, maduro. E ser maduro tem vantagens. Uma delas é ser mais paciente e mais sábio em suas colocações.

Na data de hoje os números vão mudar, como mudam no rodômetro, aquele aparelho no painel do carro que marca a quilometragem. Está lá "01" e aí, de repente, o "1" dá um pulo e o "2" aparece no seu lugar. Esse é um jeito de marcar o tempo, contando os números. Jeito bobo. Os números não dizem nada. Há um verso sagrado que diz: "Ensina-me a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios". Muita gente envelhece sem ficar sábio. O que é um sábio? Sábio não é quem sabe muito. Sábio é quem come a vida como se ela fosse um fruto saboroso. O sábio presta atenção nos prazeres e alegrias de cada momento. E o que dá prazer e alegria não são coisas grandes, festas com bolo, bexigas e presentes. O que dá alegria são coisas pequenas. Por exemplo: ver um por do sol. Namorar sob um céu estrelado. Andar na praia numa tarde de verão. Ver um ipê florido. Ler um livro. Receber um sorriso mágico.

A todos que se lembraram do meu aniversário, muito obrigado.

 



 

RELACIONAMENTOS VIRTUAIS

Os tempos mudaram. Há alguns anos, as amizades ou algo mais começavam quando as pessoas se encontravam – fosse do jeito que fosse, conheciam-se e achavam que tinham algo a ver. Mesmo que a amizade se desenvolvesse por telefone ou por carta, o mínimo que poderia se esperar é que as pessoas se conhecessem ao vivo. Namoro com um desconhecido? Isso era considerado loucura ou um tipo de romantismo completamente fora de moda. Eis, então que surge a Internet e tudo isso parece virar de cabeça para baixo. Dentre as facilidades oferecidas pela internet, sem dúvida, uma delas é a de relacionamentos virtuais através das salas de bate-papo. A prática está tão disseminada na sociedade, que é muito difícil hoje encontrar alguém que ainda não tenha tido uma experiência, nem que tenha sido apenas para satisfazer à curiosidade.

Atualmente conhecer pessoas pela Internet, namorar, fazer amizades e até se casar tem sido uma coisa mais comum do que se possa imaginar. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Virtuais, QualiBest, em fevereiro deste ano, apenas 29% dos usuários da Internet nunca haviam entrado em sites de relacionamentos. Vinte e seis por cento dos internautas brasileiros, além de conhecer, transformaram o relacionamento virtual em um namoro real. Apenas 24% das pessoas que conheceram alguém dessa forma ficaram só no virtual. De todos os participantes da pesquisa 10% fizeram bons amigos, mas não namoraram, 6% se decepcionaram ao conhecer a pessoa com a qual conversavam virtualmente e 5% das pessoas que navegam neste tipo de site nunca conheceram ninguém online.

A Internet possibilita uma nova era da paixão platônica, em que pode-se manter relacionamentos radicalmente virtuais por um longo tempo, se não se quiser marcar um encontro real. Mas a rede também é um templo para namoros virtuais de Casanovas e Dom Juans que não se preocupam com os sentimentos alheios ou mesmo se estão traindo ou não – ainda que apenas na Internet. Na rede conhecemos muitas pessoas, em pouco tempo e de todos os lugares do mundo. Por essa razão, pode parecer mais fácil namorar no mundo virtual do que no real. Talvez até seja.

A facilidade de acesso, por exemplo, é um fator preponderante para que a freqüência desse tipo de contato vá se intensificando, podendo gerar uma dependência, no mesmo nível do álcool, do fumo, das drogas e dos jogos.  Quem costuma navegar na rede sabe: as salas de bate-papo vivem lotadas, cheias de gente querendo se conhecer, conversar, trocar informações. Muitos homens e mulheres varam madrugadas nos fins de semana, ou, às vezes, durante a semana mesmo, conversando com gente que nunca viram e, talvez, nunca venham a conhecer de verdade.

Mas, o que há de verdade nesse mundo de relações virtuais? Onde nomes viram nicks (apelido em inglês) “Tigrão”, “Sarado”, “Advogata”, “Olhos Azuis”, “Gatinha Sensual” e por aí vai... ou seja, um apelido que você escolhe para ser chamado naquela conexão, começa o envio e o recebimento de mensagens e, é claro, os envolvimentos. Se você tecla com uma pessoa interessante, por exemplo, e marca de conversar novamente no dia seguinte, num determinado horário, já começa a subir a adrenalina num processo de ansiedade pela vontade que chegue logo aquele momento.

No caso do chat, em sua maioria, os equívocos são mais comuns, pois já existe a propensão de se levar o relacionamento um pouco mais além do que em simples bate-papo. Dificilmente alguém vai para lá só para conversar. Além do que, propicia uma certa situação de intimidade que sempre acaba despertando fantasias e interesses. Geralmente as pessoas fantasiam sobre seu aspecto físico, para atrair mais a atenção, o que muitas vezes provoca desapontamentos quando chega a "hora H".

Desde a difusão da internet, em meados da década de 1990, a sociabilidade virtual vem gerando muita discussão. Em contraste com os contatos entre conhecidos possibilitados pela telefonia fixa, os ambientes coletivos de interação da Internet fizeram emergir os contatos travados e mantidos exclusivamente online. Naqueles primeiros tempos, esses relacionamentos virtuais foram duramente criticados. Nos dias atuais, vemos que os relacionamentos mediados pela Internet continuam gerando reações negativas infundadas.

O português escrito é uma salada de abreviações, incompreensíveis para os não iniciados, e aquele papo de morena, alta e de olhos verdes? Será? Ainda assim, esses relacionamentos virtuais parecem encantar a todos do mundo todo, até mesmo aqueles que, na vida real, encontram dificuldades enormes para estabelecer qualquer tipo de relacionamento. Parece até que há um encanto especial em conhecer pessoas sem conhece-las de fato. E a magia, talvez esteja em poder se mostrar a outra não do jeito que se é, mas como gostaria de ser.

De repente, em determinado momento, você sente a necessidade de falar com alguém. É só ligar o computador, conectar-se à internet e pronto. Em poucos minutos você começa a falar com pessoas e mais pessoas em uma ou mais salas de bate-papo.

As pessoas que não interessam são sumariamente “deletadas”, ou simplesmente ignoradas, sem qualquer constrangimento, de nenhuma das partes – o que na vida real já não seria assim tão fácil.

As conversas são cativantes. Sobre família, negócios, estudos, sonhos, fantasias, sexo, flores, perfumes, vinhos, livros, filmes, passeios, viagens, relacionamentos, profissões, experiências pessoais. Vale tudo. De repente, uma conversa que começou no início da noite foi ficando tão interessante que atravessou a noite toda sem que as pessoas envolvidas notassem. Gentileza é fundamental. Assim como no mundo real, ninguém gosta de abordagens grosseiras, cantadas agressivas e pouco criativas. Use a imaginação – como é a regra no relacionamento virtual.

O cupido virtual parece estar em alta! Milhares de pessoas no mundo inteiro estão apostando tudo na internet e parece que a busca pelo grande amor tem rendido bons resultados. Para os mais tímidos os sites de relacionamentos espalhados pela rede podem ser uma ótima opção para desencalhar e arrumar aquele amigo (a), namorado (a) e quem sabe até um parceiro (a) definitivo. Como fazer? Basta ter paciência para se cadastrar nos diversos sites, cruzar os dedos, navegar muito e rezar para que sua caixa de e-mails não lote de pretendentes desinteressantes.

Pela rede, pode ser bonito, desinibido, engraçado, conquistador ou qualquer outra coisa que se queira. Tudo isso com um risco mínimo, já que a pessoa do outro computador não tem a menor idéia de com quem está conversando. O problema aparece quando essa espécie de brincadeira de ser quem não é se torna fonte única de relacionamentos de uma pessoa. Há muita gente que, devido à timidez ou baixa auto-estima, tem uma série de dificuldades em começar ou manter amizades e relacionamentos amorosos reais. A Internet, então passa a ser para elas a única maneira de entrar em contato com as pessoas. A princípio, isso até pode parecer bom, afinal, a rede significa uma oportunidade de relacionamento social que a vida real não proporciona. No entanto, quando a pessoa começa a viver em função da personagem que cria para si mesmo e que apresenta na rede para as pessoas, isso pode se tornar um problema sério, pois a realidade começa ficar cada vez mais difícil. Em vez de resolver um problema, esse tipo de comportamento acaba agravando o já existente e criando outros, pois os relacionamentos dessas pessoas nunca se concretizam na realidade.

As pessoas que agem dessa maneira passam a se afastar cada vez mais da realidade, e os relacionamentos reais vão ficando cada vez mais difíceis; como as dificuldades em se relacionar cara-a-cara com as pessoas aumentam, elas passam mais e mais tempo na rede, e o problema vira uma bola de neve.

De repente, a dependência já está instalada sem que as pessoas envolvidas dêem conta disso, gerando dissabores como dispersão de raciocínio (a pessoa fica meio aérea); ausência de seletividade (todas as pessoas que teclam de forma agradável, são aceitas independentemente de quem sejam); incapacidade de realização de tarefas importantes devido ao tempo dedicado aos bate-papos; irregularidade nos horários de sono, de tomada de refeições, de idas ao banheiro, e principalmente, de relacionamento real com as pessoas do mundo real na família, no trabalho, na escola. Para relembrar, complexo é toda dependência que vai na contramão das liberdades individuais. É uma distorção do amor, uma dificuldade de fazer escolhas.  É deixar-se aprisionar por armadilhas pessoais e profissionais.

Atualmente, milhões de pessoas se tornaram introspectivas, fechadas, pois têm medo de se expor e serem rejeitadas por causa de sua aparência, ou de seus pensamentos e idéias. Trancam-se em seus quartos, escritórios, salas, Lan (às vezes lado a lado) e ali, constroem seus ‘castelos’, seus ‘muros de proteção’, porque a forma que descobriram para se tornarem aceitas em algum meio foi a dos relacionamentos virtuais.

Faz parte da natureza humana a busca de fazer parte de grupos e como era de se esperar, a Internet criou também seus grupos, iniciados com as mensagens de correio eletrônico, depois com listas de discussão, News e depois com o IRC e agora com os Blogs. Cada um de nós procuramos a nossa turma, que podem ser pessoas de diferentes níveis sociais, culturas e até regiões onde poderemos nunca pisar os pés. É de se esperar que quando duas pessoas se encontrarem periodicamente em um único local relacionamentos tendem a acontecer. Sejam eles amorosos ou somente uma amizade. Um relacionamento virtual pode se tornar um relacionamento real e tão real quanto um outro, que talvez seja muito mais honesto que o real, já que é muito difícil manter o mesmo discurso irreal por e-mail e por mensagens instantâneas por muito tempo.

As mil e uma possibilidades do ciberespaço estão transformando as relações humanas e inaugurando novas formas de convívio e relacionamento. Comunidades virtuais, salas de bate-papo e as várias opções de interação têm proporcionado aos internautas novas formas de ser e de estar no mundo. Todos esses fenômenos, aliados às ferramentas de trabalho informatizadas, impuseram desafios à Psicologia, entretanto foi esta mesma disciplina que indica que a grande celeuma em torno dos relacionamentos virtuais não passa de um equívoco, muito provavelmente gerado pela mitologia de destruição dos primórdios da Internet. O medo despertado por essa nova tecnologia e o desconhecimento de como os usuários de fato se relacionam por meio dela resultaram em muita confusão. Minimamente, fizeram com que as interações virtuais passageiras (que correspondem àquelas interações, igualmente passageiras, características dos primeiros contatos entre desconhecidos no mundo físico) fossem vistas como relacionamentos frágeis, pouco autênticos, descartáveis, etc.

Conhecer pessoas pela Internet pode ser uma experiência muito interessante, principalmente se você tomar algumas precauções: Não acredite em tudo o que as pessoas dizem nos chats (sala de bate-papo); muita gente fica encantada com belos discursos ou promessas de paixão devastadoras sem jamais ter colocado os olhos no(a) autor(a) das palavras. Isso aumenta o risco de desilusões e de problemas futuros.

O que chama atenção é ver a franqueza e a transparência com que os participantes, através de mensagens que são trocadas virtualmente, sem aquele “olho no olho”, sem aquela conversa “cara-a-cara”, pessoal, abrem seus corações e falam o que estão pensando e vivendo. Isto, debaixo de um pseudônimo que os protege de serem identificados; dos outros saberem quem eles são.

Porém, é bom se preservar: Não dê informações detalhadas sobre você na rede, como endereço telefone ou particularidades sobre sua rotina para pessoas que não conhece. Há casos documentados de pessoas que entram em salas de bate-papo para saber informações a respeito de pessoas por motivos nada amistosos (seqüestradores ou pessoas que costumam abusar sexualmente de crianças e adolescentes). Não troque os seus relacionamentos reais pelos virtuais. Não abra mão do senso de julgamento e seletividade, por mais sedutoras e criativas que sejam as palavras utilizadas pela outra pessoa e não se empolgue para não se decepcionar. Analise se você passa mais tempo conversando com desconhecidos na Internet do que com as pessoas com quem convive. Se isso estiver acontecendo, é momento para parar e pensar sobre o porquê dessa preferência.

Um relacionamento virtual pode ser incrível, mas ele não deve substituir a realidade. Talvez o que torne os relacionamentos virtuais realmente mágicos seja exatamente a possibilidade de eles virarem relacionamentos reais. Ou você já ouviu falar em paixão à primeira teclada?

Texto "RELACIONAMENTOS VIRTUAIS", Pensando Bem, Blog Carlos Vicentini (IX) 



 

A VIAGEM DE TREM

Dia desses, li um livro que comparava a vida à uma viagem de trem. Uma comparação extremamente interessante, quando bem interpretada.  Interessante,  porque nossa vida é como uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques,  de pequenos acidentes pelo caminho,  de surpresas agradáveis com alguns embarques  e de tristezas com os desembarques...

Quando nascemos, ao embarcarmos nesse trem, encontramos duas pessoas que,  acreditamos que farão conosco a viagem até o fim: nossos pais.

Não é verdade. Infelizmente, em alguma estação, eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinho, proteção, amor e afeto. Mas isso não impede que, durante a viagem, embarquem pessoas interessantes que virão ser especiais para nós: nossos irmãos, amigos e amores.

Muitas pessoas tomam esse trem a passeio. Outras fazem a viagem experimentando somente tristezas.  E no trem há, também, outras que passam de vagão em vagão, prontas para ajudar quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas. Outros tantos viajam no trem de tal forma que, quando desocupam seus assentos, ninguém sequer percebe.

Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso.  Isso nos obriga a fazer essa viagem separados deles. Mas isso não nos impede de, com grande dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles.  O difícil é aceitarmos que não podemos sentar ao seu lado, pois outra pessoa estará ocupando esse lugar. 

Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques. Sabemos que esse trem jamais volta. Façamos essa viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando em cada um o que tem de melhor, lembrando sempre que, em algum momento do trajeto poderão fraquejar, e, provavelmente, precisaremos entender isso. Nós mesmos fraquejamos algumas vezes.

E, certamente, alguém nos entenderá. O grande mistério é que não sabemos em qual parada desceremos. E fico pensando: quando eu descer desse trem sentirei saudades? Sim. Deixar meus filhos viajando sozinhos será muito triste. Separar-me dos amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será para mim dolorido. Mas me agarro na esperança de que, em algum momento, estarei na estação principal, e terei a emoção de vê-los chegar com sua bagagem, que não tinham quando embarcaram. E o que me deixará feliz é saber que,  de alguma forma, eu colaborei para que essa bagagem tenha crescido e se tornado valiosa.

Agora, nesse momento, o trem diminui sua velocidade para que embarquem e desembarquem pessoas.  Minha expectativa aumenta, à medida que o trem vai diminuindo sua velocidade... Quem entrará? Quem sairá? Eu gostaria que você pensasse no desembarque do trem, não só como a representação da morte, mas, também, como o término de uma história, de algo que duas ou mais pessoas construíram e que, por um motivo ínfimo, deixaram desmoronar. Fico feliz em perceber que certas pessoas como nós, têm a capacidade de reconstruir para recomeçar. 

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.
Isso é sinal de garra e de luta, é saber viver, é tirar o melhor de “todos os passageiros”.

Agradeço muito por você fazer parte da minha viagem, e por mais que nossos assentos não estejam lado a lado,  com certeza, o vagão é o mesmo.



 

Aniversário da Simone

No dia 12 de agosto, domingo, aconteceu uma festinha muito legal em comemoração ao aniversário da minha cunhada Simone, que completou mais um ano de vida no último dia 11. A festa deste ano foi comemorada com um almoço muito gostoso e especial, já que neste domingo também se comemorava o Dia dos Pais. Na foto o papai Thomaz, a filhinha caçula Isadora, a mamãe aniversariante Simone e a filha Laurinha de 8 anos. O cunhado Edu e toda equipe da Central Tributária  parabeniza mais uma vez, sua querida colaboradora!!! Simone é advogada e tem parceria com o escritório de consultoria tributária.  



 
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